10 coisas que eu sempre quis falar.
1- Essa reforma ortográfica é ridícula. E não é só no Brasil. Anualmente, eles fazem reformas na gramática, ortografia e conjugação na França que vão simplificando o entendimento e a utilização da língua. Desculpe, mas isso é ri-dí-cu-lo. É só pra mais adolescentes passarem logo no Brevet (espécie de vestibular feito no final do Ensino Fundamental que permite a passagem para escolas profissionalizantes) e poderem virar carpinteiros ou whatever. As línguas estão gradativamente perdendo suas peculiaridades, e conseqüentemente parte de sua beleza. As pessoas vão ficando burras e o mundo vai se adaptando à elas.
2- Eu acho que toda consciência política e social dessa geração de adolescentes atual (a minha) é pura modinha. E vontade de aparecer, claro. Você vai no Freeze, você vai na manifestação do movimento pró-democracia, pra eles dá tudo na mesma. Vocês vão ver, daqui a dez, ninguém vai ligar pra nada disso, e eu que não fui em nenhum dos dois vou estar com os Médicos Sem Fronteiras. O mesmo vale para boicotes.
3- Acho deprimente que os franceses não tenham fantasias, sejam pé-no-chão demais. Mas acho patético que os brasileiros sonhem alto demais e no final não façam nada. E eu não sou uma pessoa que generaliza, eu acho idiota generalizar, mas essa verdade parece ser irrevogável até agora. O que me leva a :
4-Na turma de Literatura desse ano (segundo ano do ensino médio) tem três amigas minhas. Uma delas quer fazer faculdade de Belas Artes num país onde ela não conhece ninguém e ela já não tem dinheiro. Francamente, eu acho que a menos que ela queira pedir esmola nas ruas de Paris, ela vai acabar desistindo e indo pro Haiti ou wherever achar o avô rico dela e achar uma utilidade mais capitalista pro talento artístico dela. A outra não quer nada da vida, só porque os pais acham que ela pode ter tudo. E a terceira só diz que quer fazer cinema pra parecer cult, porque as amiguinhas dela foram pra L. Como ela não percebe que o fato dela não ter nenhum dom artístico e um senso de lógica absurdo só torna isso mais deprimente?
5- Na turma de ciências desse ano, tem algo como quatro amigas minhas. Tem uma em especial, que eu adoro, e que na verdade eu mal conhecia até ano passado. Acho que todo mundo pensa que ela vai ser a mãe dela, casada, quatro filhos loiros e inteligentes e populares, com uma carreira mais por hobby que qualquer outra coisa. Eu acho que ela nasceu mesmo para ser arquiteta, e que ela vai gostar tanto do trabalho, e vai ter tanto sucesso que vai esquecer de ter essa vida. E tem outras três que fazem muito o tipo high-powered career, mas eu acho que elas vão casar, se demitir, se mudar pro subúrbio e quem sabe um dia vão se arrepender quando já for tarde demais.
6- Tem uma amiga que saiu da escola esse ano. Eu acho que inconscientemente ou não, um grande fator na decisão foi o namorado dela. Eu acho que tudo bem, isso é escolha, apesar de achar que se eles não se conhecessem, ela mediria as oportunidades mais objetivamente e não sairia. Mas eu acredito completamente no amor deles, eu não duvidaria disso nem um segundo. Mas ela é uma pessoa diferente. E se ele não entender ela? Por mais que ele goste dela, pode acontecer. Ela sairia tão machucada disso. Eu acho que às vezes ela deveria se deixar levar um pouco menos. E depois, se na faculdade ela se apaixona por um motoqueiro vagabundo e drogado que quer atravessar o mundo de motocicleta e quer levar ela? Eu não quero atender uma ligação internacional daqui a cinco anos pedindo ajuda pra sair de uma plantação de maconha na Colombia.
7- Eu jogo Ragnarök, eu gosto de estudar, eu sempre falo a primeira coisa que me vem à cabeça, eu gosto de música emo, eu gosto de qualquer tipo de música na verdade (menos coisas tipo axé e samba, e gospel), eu não gosto de responder perguntas do tipo “Gostou do filme?” depois de sair do cinema, ou “Onde você tava?” se eu não passei a recreação com os meus amigos, eu sou totalmente control freak, eu prefiro não tomar responsabilidade, mas eu sempre acabo passando na frente pra fazer as coisas do meu jeito, o meu jeito É sempre o certo, eu fumo, e EU NÃO ME IMPORTO. E eu ODEIO quando as pessoas me perguntam porque eu faço essas coisas.
8- Eu tenho um “amigo” “pedófilo” e eu não agüento mais ele. “Pedófilo” porque eu tinha 11 anos e ele 19, e ele ficava dando em cima de mim, e ele é retardado. E eu explorava ele, total. Só que são quatro anos depois, ele continua na mesma (em matéria de faculdade), ele tem namorada mas continua dando em cima de mim e me perseguindo no Ragnarök, eu flerto com todos os amigos dele na frente dele e ele AINDA não se tocou que eu simplesmente não estou interessada.
9- Ah, e eu tenho uma amiga que saiu da escola tem dois anos já. O grande sonho da vida dela é ter uma banda, e ela nem tocar nada a sério. Ela repetiu na nossa escola super chique, foi pra uma escola brasileira que só é boa pra quem quer alguma coisa da vida, repetiu lá também, e agora vai pra uma escola pública que é tipo o penúltimo patamar antes do fundo do poço. O último é o Wakigawa, onde aliás já tem dois outros amigos meus que sofrem do mesmo problema que ela. Eles não querem da vida e parece que os pais deles todos adoram celebrar essa escolha com trocentos presentes caros. Eles não se tocam. Eles vão arruinar os pais, e um desse amigos é milionário. Sem brincadeira.
10- Eu odeio o Brasil.